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sexta-feira, 13 de abril de 2018

Para reflexão

Nossa Senhora dos Destoantes 

 

Nossa senhora, destoantes, ouro preto, minas geraisOs sinos da Capela do Padre Faria não soam nem melhor nem pior do que os outros, mas têm uma história diferente de todos.
      
por Luis Fernando Veríssimo
A pequena Capela de Nossa Senhora do Rosário do Padre Faria é uma das tantas joias arquitetônicas de Ouro Preto. O exterior despojado não prepara o visitante para a opulência barroca do interior. O campanário fica afastado do corpo da igreja, como a “casinha” numa morada sem banheiro, e nada tem de imponente. Os sinos da Capela de Padre Faria badalam em concerto com os outros sinos da região, cantando as horas e os eventos, e não soam nem melhor nem pior do que os outros. Mas os sinos da Capela do Padre Faria têm uma história diferente dos outros.

Joaquim José da Silva Xavier, Herói Brasileiro, Inconfidência
Quando Joaquim José da Silva Xavier - Tiradentes - foi enforcado e esquartejado no Rio de Janeiro todos os outros sinos celebraram a notícia. Afinal, tratava-se da execução de um traidor, de um inimigo da sociedade. Os sinos de Ouro Preto festejaram o castigo exemplar de um réprobo e o triunfo da legalidade sobre a rebeldia. Mesmo que o toque festivo não tivesse sido recomendado pela Coroa, a celebração se justificaria. Mas os sinos da Capela do Padre Faria dobraram Finados. Pela primeira e única vez na história, talvez, os sinos da Capela do Padre Faria destoaram do concerto. Tocaram, sozinhos, uma batida fúnebre pelo martírio de Tiradentes.
Não conheço bem a história e não sei o que motivou as badaladas subversivas. Um pedido de secretos simpatizantes da Inconfidência? Apenas uma manifestação de piedade cristã? Um sineiro bêbado? Não sei. Minha tese preferida é que alguém responsável pelos sinos teve um vislumbre histórico. Teve a presciência que ninguém mais teve e ordenou o toque plangente, em homenagem precoce ao futuro herói e pelo ocaso do poder colonial que seu sacrifício desencadearia. 
Ouro preto, sons, tiradentesNossa Senhora do Rosário serviria como padroeira, não necessariamente de quem consegue adivinhar a História, mas de quem entende o momento que está vivendo ou destoa da maioria, com ou sem razão. Destoantes deveriam ir regularmente em romaria à pequena capela e pedir a bênção dessa Nossa Senhora do Contexto Maior, para melhor poder enfrentara a maioria que badala o que não tem importância e o fato errado e menospreza qualquer batida diferente. 
Os outros sineiros de Ouro Preto não tinham como saber que estavam festejando a morte de um herói. Faltava-lhes a perspectiva histórica para entender o momento e só cumpriram o que se esperava deles. Estão perdoados. Mas que nos sirvam de lição.
Minas Gerais, libertas, quae sera, tamen

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Estupidez Humana




A estupidez em si mesma é muito mais perigosa do que geralmente pensamos.

Einstein, genio, matemática, relatividade, física, universo
O economista e historiador italiano Carlo Cipolla tentou responder a questão sobre a natureza da estupidez. Ele elaborou as leis fundamentais da estupidez humana, que são válidas em qualquer sociedade.

Essas são as leis encontradas por Cipolla:

Primeira lei da estupidez:

Sempre e inevitavelmente qualquer um subestimará o número de idiotas ao seu redor.

Segundo o pesquisador: Independentemente da opinião que tenhamos sobre as pessoas, todos nós sempre nos depararemos com essas duas situações:

a) pessoas que julgamos em algum momento serem racionais e inteligentes na verdade são vergonhosamente idiotas;

b) dia após dia, somos incomodados em nossas atividades por indivíduos que aparecem inesperadamente nos lugares mais inconvenientes e momentos mais improváveis.

Isso parece coisa de gente mimada que fica de Mi mi mi nas redes sociais, mas a verdade é que isso sempre acontece e de forma cada vez mais frequente. A decepção é uma constante no que tange à admiração e sabedoria que atribuímos a alguém.

Segunda lei da estupidez:

A probabilidade de uma pessoa ser estúpida não depende de qualquer outro atributo dessa pessoa.

“Essa é uma característica imposta pela natureza e não por fatores culturais. A estupidez é algo que você tem ou não, tal como o tipo sanguíneo, a cor da pele ou do cabelo.” – Cipolla

Por mais que tentemos associar a estupidez a fatores como: cultura, meio social, idade, etc; isso não é sustentado pela observação mais atenta dos reconhecidos estúpidos. 

Condição social e conhecimento acadêmico e/ou filosófico não bastam para alterar a probabilidade de encontrar mais ou menos estúpidos.

Em um grupo de trabalhadores analisados; o número de estúpidos foi muito maior do que o esperado (primeira lei), e depois de classificá-los por: cor de pele, classe social e nível de escolaridade; a proporção de estúpidos não se altera. Isso vale para analfabetos ou doutores, ricos ou pobres, homens ou mulheres, de lá e de acolá... tanto faz, estupidez é, acima de tudo, uma condição humana. 
miguel, unamuno,

Terceira lei da estupidez:

Um estúpido é uma pessoa cujas ações têm consequências negativas sobre a vida de outros, sem que disso decorra qualquer benefício para si mesmo, podendo inclusive se prejudicar.

Cipolla propõe que todas as pessoas do mundo inevitavelmente se dividem em quatro grupos:

·         * Os ingênuos: são aquelas pessoas que se prejudicam mas acabam ajudando alguém;

·         * Os inteligentes: são pessoas que beneficia a si mesmo e a mais alguém;

·         * Os canalhas: são pessoas que beneficiam a si mesmo em prejuízo de alguém;

·         * Os estúpidos: prejudicam a si e a todos os que estiverem em seu raio de ação.

Com isso, vale lembrar, que o poder destrutivo de um estúpido é muito maior que qualquer outro tipo de pessoa. Ele é uma bomba nuclear, destrói tudo e ainda deixa seqüelas que virão a prejudicar a outros. Estas pessoas, quando colocadas em posição de poder, são extremamente perigosas.

O que torna estas pessoas tão destrutivas é o fato de que suas ações são completamente imprevisíveis, pois não dependem de nenhum outro componente para que ataque, sem motivo, sem plano definido, no momento menos esperado e nos locais mais impróprios.

Qualquer pessoa que tenha o mínimo de bom senso fica atordoada, pois não consegue encontrar uma lógica nestes casos.



Quarta lei da estupidez:

Aqueles que não são estúpidos sempre subestimam o potencial destrutivo daqueles que são.

Aqueles que não são estúpidos sempre se esquecem do poder destrutivo dos estúpidos, porque acreditam que o prejuízo de ações anteriores “os ensinaram” e, inevitavelmente, estas ações não irão se repetir. Aí está o maior e mais corriqueiro erro das pessoas não-estúpidas.

Existe ainda o pressuposto comum de que o estúpido se encrenca sozinho, é autodestrutivo... isso é verdade, mas nunca é só isso!

Como vimos na terceira lei as conseqüências nunca são controladas e as perdas são incalculáveis.

Quinta lei da estupidez:

O idiota é o tipo de ser humano mais perigoso que existe.

Parece óbvio, mas é importante reafirmar.

Quando o estúpido entra em ação todos perdem (Ops, Dilma é você?); ninguém sai ileso, e o resultado é a perda de recursos.

Perde-se dinheiro, tempo e saúde, a sociedade empobrece e o sofrimento é compartilhado. 
Se o Mal existe; ele pode ser chamado de estupidez.

Incrivelmente, a sociedade consegue manter os estúpidos sob controle dos inteligentes. 
Existe um equilíbrio entre a porção inteligente e a porção estúpida, ou nossa civilização já teria acabado. Mas, não se engane, o que os inteligentes demoram muito para consolidar os estúpidos destroem em minutos.

Sendo assim, a humanidade convive constantemente com a queda de braços entre os opostos estúpidos e não-estúpidos, a torcida embriagada de ingênuos e a vileza dos canalhas.

Em uma análise mais profunda, é evidente que os ingênuos e canalhas trabalham, de alguma forma, em prol dos inteligentes para que tudo não se esvaia na loucura dominante dos estúpidos!

Todo cuidado é pouco.