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terça-feira, 11 de março de 2014

Novos Pesadelos Informáticos

Incrível como esta postagem parece antiga. A intenção não foi minha, claro, mas de João Ubaldo Ribeiro.

Este escritor, jornalista, roteirista e professor brasileiro, formado em direito e membro da Academia Brasileira de Letras, é ganhador do Prêmio Camões de 2008. Ubaldo Ribeiro teve algumas obras adaptadas para a televisão e para o cinema. Autor de romances como Sargento Getúlio, O Sorriso do Lagarto, A Casa dos Budas Ditosos, que causou polêmica e ficou proibido em alguns estabelecimentos.

A obsolescência programada já foi tratada aqui no blog; não com esta visão tragicômica de um escritor deste nível, mas um dia eu chego lá. Até Frei Betto tentou em um Passeio Socrático, e eu copiei. Mas as crônicas me atraem. Então, curta aí:

Novos Pesadelos Informáticos

Outro dia, uma revista me descreveu como convicto “tecnófobo”, neologismo horrendo inventado para designar os que têm medo ou aversão aos progressos tecnológicos. Acho isso uma injustiça. Em 86, na Copa do México, eu já estava escrevendo (aliás, denúncia pública: este ano não vou à França, ninguém me chamou; acho que fui finalmente desmascarado como colunista esportivo) num computadorzinho arqueológico, movido a querosene, ou coisa semelhante. Era dos mais modernos em existência, no qual me viciei e que o jornal, depois de promessas falsas, me tomou de volta. Tratava-se de coisa finíssima. O modem, por exemplo, era uma espécie de desentupidor de pia, que se fixava no telefone e que fazia aparecer do outro lado os piores bestialógicos imagináveis. Mas éramos felizes com ele.

Já no final de 86, era eu orgulhoso proprietário e operador de um possante Apple IIE (enhanced), com devastadores 140 kb de memória, das quais o programa para escrever comia uns 120. Mas eu continuava feliz, com meu monitor de fósforo verde e minha impressora matricial Emilia, os quais se transformaram em atração turística de Itaparica, tanto para nativos quanto para visitantes. Que maravilha, nunca mais ter de botar papel carbono na máquina ou ter de fazer correções a caneta — e eu, que sempre fui catamilhógrafo, apresentava um texto mais sujo do que as ruas da maioria de nossas capitais. Havia finalmente ingressado na Nova Era, estava garantido.

Bobagem, como logo se veria. Um ano depois, meu celebrado computador não só me matava de vergonha diante dos visitantes, como quebrava duas vezes por semana e eu, que não dirijo, pedia à minha heróica esposa que o levasse a Salvador, poderosíssima razão para minha conversão pétrea à indissolubilidade do matrimônio. E ai entrei na roda-viva em que hoje, mais ou menos irremediavelmente, me encontro. Já disse aqui que, no meu tempo, tudo o que o sujeito precisava para ser escritor ou jornalista eram um lápis, uma canetinha ou uma máquina de escrever. Hoje não, hoje o sujeito tem de aprender algumas coisas de novo toda semana, sob o risco de se ver desempregado, ou ridicularizado por amigos sem piedade.

Olho assim em torno, todos os meus amigos são micreiros. Basta dizer que sou amigo da Cora Rónai e do Gravatá. Todo mundo que conheço é plugado na Internet e conversa em termos incompreensíveis. A turma do Casseta e Planeta é micreira. Millôr Fernandes é micreiro. Todo mundo é micreiro. Só quem não é micreiro, que eu me lembre assim, é o festejado poeta Geraldo Carneiro, que não sabe nem numerar as páginas de seu texto a imprimir (habilidade que eu tenho, embora precariamente). Assim mesmo, em delírios paranóicos, às vezes suspeito que ele, conhecido por saber tudo, finge ignorância informática por caridade comigo. Não se pode confiar em ninguém, hoje em dia. Mas ganhei um computador novo! Fui dormir felicíssimo, pensando em meu lapetope de última geração, cheio de todas as chinfras. Mas tudo durou pouco, porque um certo escritor amigo meu me telefonou.

— Alô! — disse o Zé Rubem do outro lado.

— Você tem tempo para mim? Digo isso porque, com seu equipamento obsoleto, não deve sobrar muito tempo, além do necessário para almoçar apressadamente.

— Ah-ah! — disse eu. — Desta vez, você se deu mal. Estou com um lapetope fantástico aqui.

— É mesmo? — respondeu ele. — Pentium II?

— Xá ver aqui. Não, Pentium simples, Pentium mesmo.

— Ho-ho-ho-ho! Ha-ha-ha-ha! Hi-hi-hi hi!

— O que foi, desta vez?

— Daqui a uns quatro meses, esse equipamento seu estará completamente obsoleto. Isso não se usa mais, rapaz, procure se orientar!

— Como não se usa mais? Todos os micreiros amigos meus têm um Pentium.

— Todos os amigos, não. Eu, por exemplo, tenho um Pentium II. Isso… Ninguém tem Pentium II!

— Eu tenho. Mas não é grande coisa, aconselho você a esperar mais um pouco.

— Como, não é grande coisa? Entre todo mundo que eu conheço é só você tem um e agora vem me dizer que não é grande coisa.

— Você é um bom escritor, pode crer, digo isto com sinceridade. Quantos megahertz você tem nessa sua nova curiosidade?

— 132.

— Hah-ha-ha! Ho-ho-hihi!

— Vem aí o Merced, rapaz, o Pentium7, não tem computador no mercado que possa rodar os programas para ele.

— E como você fica ai, dando risada?

— Eu já estou com o meu encomendado, 500 megahertz, por ai, nada que você possa entender.

— Mas, mas…

Acordei suando, felizmente era apenas um pesadelo. Meu amigo Zé Rubem, afinal de contas, estaria lá, como sempre, para me socorrer. Fui pressuroso ao telefone, depois de enfrentar mais senhas do que quem quer invadir os computadores do Pentágono.

— Alô, Zé! Estou de computador novo!

— Roda Windows 98? Tem chip Merced?

— Clic — fiz eu do outro lado.


Fontes: https://www.google.com.br/
https://pt.wikipedia.org
http://contobrasileiro.com.br/

domingo, 2 de março de 2014

Super Homem



O embate entre ciência e religião é tão ilógico quanto a ideia de que somos detentores da razão.

Cada um tem seu papel na constituição de valores sociais essenciais para a manutenção de uma sociedade saudável. Não? Pense bem...

ciência, conhecimento, debate, contrastePreconceito, segundo o dicionário, é opinião ou pensamento acerca de algo ou de alguém cujo teor é construído a partir de análises sem fundamentos, sendo preconcebidas sem conhecimento e/ou reflexão. Quantas de suas opiniões são baseadas em sólidos fundamentos obtidos através do estudo para obtenção de conhecimento? Afs, essa foi profunda! Assista o programa evidências, e estude sobre cientistas que acreditavam que religião não era tão distante assim.

Caso você não tenha percebido, somos seres ínfimos perante a magnitude do universo. Ocupamos uma área de 1,6 m² para mulheres e 1,9 m² para homens, e nossa existência é de no máximo 120 anos. Temos um universo observável com diâmetro superior a 92 bilhões de anos-luz, com 13,7 bilhões de anos, segundo cálculos estimativos. (Veja a explicação do Cortella)

Como seres tão insignificantes podem achar que são plenos de seus conhecimentos e conceitos, a ponto de imaginar que são detentores de títulos e cargos em sociedades abstratas existentes apenas em um micro universo criado pelas suas mentes limitadas?

Já dizia o maluco beleza, Raul Seixas:

“É você olhar no espelho, Se sentir
Um grandessíssimo idiota
Raulzito, maluco belezaSaber que é humano
Ridículo, limitado
Que só usa dez por cento
De sua cabeça animal
E você ainda acredita
Que é um doutor
Padre ou policial
Que está contribuindo
Com sua parte
Para o nosso belo
Quadro social”

Nossa tecnologia é incapaz de dimensionar nossos sentimentos. Um pensamento apenas pode ser uma grande incógnita para a ciência. Mas o que é o pensamento?

Segundo Carl Jung o processo de pensamento inclui quatro funções psicológicas complementares mutuamente exclusivas: sensação, intuição, percepção, e pensamento.

A imaginação é a coisa mais intrigante neste cenário. Seres fantásticos e pensamentos absurdos formam um emaranhado de ideias que nos levam ao riso, ou ao pavor, quase sempre. A criatividade, a genialidade e a moral são conceitos abstratos; ou seja, não têm existência própria, existem apenas na concepção da mente. Ex: bondade, beleza, justiça, amor, raiva etc.

Se formos fruto do acaso, como prega a ciência e sua teoria do "Big Bem"; todos estes elementos citados por Jung não passam de processos químicos em nosso corpo, desencadeado por percepções levadas ao nosso cérebro.
paixão, apaixonados, gatos

Com isso a moral, a educação e tudo o mais que rege a convivência em sociedade, não passa de mero devaneio poético. O que importa realmente são as leis da física, química, matemática, e outras tantas que mantém o universo em harmonia. Será?

Os estudos da matéria negra e da composição da luz nos fazem lembrar o quanto ainda somos ingênuos em relação a todas estas leis. De tempos em tempos, a ciência reescreve seus tratados.

amor, abraçoComo amante da cultura, OExternauta não é contra a ciência, mas a favor de colocá-la em seu devido lugar. Nada está além do universo de cada um.

Como explicar conceitos e sentimentos descritos por “todas” as religiões a mais de 6 mil anos, que ainda hoje são atuais? Como avaliar as emoções de acompanham todo homem desde o seu nascimento?

A alma dos poetas, dos artistas, dos malucos beleza que insistem em jogar por terra toda lógica. A fé que remove montanhas, que desafia a lógica da ciência a cada dia. O prazer de contemplar uma obra de arte, uma música, um amor...
São inexplicáveis por uma ciência que insiste em fechar os olhos para a sabedoria.

Vou parodiar Luis de Camões:
"Ah ciência, quanto do seu suposto conhecimento é sangue de inocentes?
Oh religião, quanto perde de sublime quando se esconde na opressão aos sinceros de coração?"

Cada um na sua... até que o tempo nos salve desta existência nefanda.

Até a próxima!