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quinta-feira, 16 de janeiro de 2025

Revolta dos Malês

Se você já se interessou pela história da escravidão no Brasil, provavelmente já ouviu falar da Revolta dos Malês. Esse levante, que aconteceu em 1835 na Bahia, foi uma das maiores revoltas de escravizados do Brasil e teve uma importância gigante, não só na resistência à escravidão, mas também na preservação da identidade cultural e religiosa dos africanos que estavam sendo brutalmente oprimidos.

A Revolta dos Malês aconteceu em Salvador, onde a escravidão era uma das maiores da época. A palavra "malê"[1] se referia aos africanos muçulmanos que, por muitos anos, foram trazidos para o Brasil; a maioria deles era originária da região do Sahel, que abrange áreas do oeste da África, como o atual Senegal, Gâmbia, Mali, Nigéria, e outros países


da África Ocidental.
Esses africanos, além de serem na maioria das vezes alfabetizados e muito cultos, tinham uma forte conexão com sua religião muçulmana. Não à toa, muitos malês foram líderes dessa revolta, que aconteceu no início de 1835. Estima-se que cerca de 1.000 a 1.500 malês habitavam a cidade de Salvador. A população de Salvador era estimada em cerca de 200.000 pessoas, composta principalmente por negros e mulatos, cerca de 50% a 60% da população eram escravizados, na época, era a maior cidade do Brasil e um importante centro econômico, cultural e político.

A revolta foi, em parte, uma resposta direta à opressão brutal dos colonizadores e à imposição de um sistema escravagista que controlava a vida dos africanos e seus descendentes. A situação estava insustentável. Além disso, os malês enfrentavam também a proibição de suas práticas religiosas. Naquele tempo, a religião muçulmana era vista com muito preconceito pelos colonizadores. Isso fez com que muitos malês se organizassem secretamente, planejando uma grande revolta para tentar conquistar a liberdade e libertar seus companheiros.

Em janeiro de 1835, os malês, junto com outros escravizados, tomaram as ruas de Salvador em um levante bem organizado. A ideia era tomar a cidade, libertar os escravizados e acabar com o sistema de opressão. O plano, no entanto, foi rapidamente descoberto pelas autoridades, que reagiram com força militar. O confronto foi brutal, e, apesar da coragem dos revoltosos, a revolta foi esmagada em poucos dias. Dizem que aproximadamente 70 a 100 malês foram mortos durante o confronto; mas é óbvio que este número pode ser muito maior.

Após a revolta, muitos dos líderes malês foram capturados e executados. Outros foram severamente punidos, e o governo tomou medidas ainda mais duras contra qualquer tipo de resistência. A vigilância sobre as práticas religiosas aumentou, e o medo de novas revoltas fez com que os governantes tentassem sufocar qualquer possibilidade de organização entre os escravizados. Alguns foram enviados para outras regiões do Brasil, como a Cabo Verde ou para o exílio.

Apesar da repressão, a revolta dos malês não foi em vão. Ela mostrou que os africanos, mesmo nas condições mais extremas, eram capazes de se organizar e lutar por sua liberdade. Foi também uma forma de resistência contra a imposição de uma cultura e religião que tentava apagar as raízes africanas. Mesmo com a derrota, a luta dos malês ficou na história como um símbolo de resistência e de busca por identidade.

A Revolta dos Malês é uma das várias histórias de resistência que foram apagadas por muito tempo da história oficial do Brasil. Ela nos lembra da força e da coragem dos africanos e seus descendentes, que, mesmo diante da escravidão e da opressão, nunca deixaram de lutar por sua liberdade e pela preservação de suas tradições. A revolta também é um marco importante para entender a resistência religiosa, já que o Islã, assim como outras religiões africanas, foi um ponto de união entre os malês.


Hoje, essa história serve de inspiração para a luta contra o racismo e a discriminação. A Revolta dos Malês é um lembrete de que, mesmo nas condições mais adversas, a luta pela liberdade e pela dignidade humana nunca pode ser esquecida.


[1] A palavra malê provém de imale que, no idioma ioruba, significa mulçumano.



Fonte: 

https://diplomatique.org.br/as-crises-na-africa-ocidental/

https://ensinarhistoria.com.br/reino-de-mali/

http://blog.editoracontexto.com.br/as-sociedades-africanas-da-africa-ocidental-historia-e-cultura-afro-brasileira/

https://www.pstu.org.br/a-revolta-dos-males-o-levante-dos-escravos-muculmanos-na-bahia/

https://www.ufrgs.br/cebrafrica/africa-ocidental-e-central/

GATES JR., Henry Louis. Os negros na América Latina. São Paulo: Companhia das Letras, 2014, p. 73.

GRANATO, Fernando. Bahia de Todos os Negros – As rebeliões escravas do século XIX. Rio de Janeiro: História Real, 2021, pp. 9 e 10.

GRANATO, Fernando. Obra citada, pp. 20 e 21.

GOMES, Flávio dos Santos, LAURIANO, Jaime, SCHWARCZ, Lilia Moritz. Enciclopédia Negra. São Paulo: Companhia das Letras, 2021, p. 470.

quarta-feira, 29 de maio de 2024

Bobagem

O mundo é dos espertos... será?!?!?

Essa expressão, por muito tempo, esteve associada à ideia de que ser esperto significava tirar vantagem de situações, muitas vezes à custa do respeito ao próximo. Ser ágil, estar atento e aproveitar oportunidades são qualidades importantes, mas é preciso diferenciar isso de agir com esperteza a qualquer custo. A honestidade deve ser o princípio norteador de nossas ações.

Na vida, é essencial aplicar boas práticas em todas as relações, inclusive nas profissionais. 

Para combater essa cultura de desonestidade, é necessário promover a educação para a ética e a integridade desde cedo. Disciplinas que abordem temas como honestidade e respeito ao próximo são fundamentais para formar cidadãos conscientes e responsáveis; cooperando para a aplicação das leis e obtenção da justiça.

Como disse Allan Kardec em seu Livro dos Espíritos, os maus exercem influência sobre os bons devido à fraqueza destes últimos. No entanto, os bons podem se desvincular dessas influências e se tornarem verdadeiramente despertos. São pessoas que agem sempre visando o bem comum, alimentando-se de valores como ética, caráter e compaixão.

As condutas de corrupção e desonestidade estão presentes em todos os níveis da sociedade, do mais baixo ao mais alto escalão, onde os interesses individuais muitas vezes se sobrepõem ao bem comum. Por isso, é fundamental exigir boas práticas de si mesmo e dos parceiros, sejam eles fornecedores ou clientes, para garantir uma parceria de sucesso e duradoura.

Atualmente, vemos diversos casos de pessoas que se aproveitam da ingenuidade alheia, principalmente nas redes sociais, enganando empresários e aplicando golpes. Essas atitudes não apenas prejudicam indivíduos, mas corroem os valores fundamentais da sociedade.

É interessante observar como, muitas vezes, as pessoas tendem a enaltecer a esperteza e a ridicularizar aqueles que são enganados. Isso cria um ambiente onde a desonestidade é tolerada e até mesmo incentivada. No entanto, é importante compreender que a culpa não é daquele que é lesado, mas sim daquele que pratica a desonestidade.

Em um mundo onde a honestidade muitas vezes parece ser uma qualidade em falta, é fundamental que cada um de nós faça a sua parte para promover uma sociedade mais justa e igualitária. O mundo não é dos espertos, é dos ditos bobos, que verdadeiramente conduzirão a sociedade para um futuro melhor. Portanto, ao invés de enaltecer a esperteza, devemos valorizar a honestidade e o compromisso com o bem comum.

        "O mundo é dos espertos, mas a felicidade é dos bobos." - Augusto Cury

Os "bobos", ou seja, aqueles que são mais ingênuos e talvez menos ambiciosos em termos materiais, são frequentemente retratados como pessoas mais felizes, pois vivem de acordo com seus valores, desfrutando das pequenas coisas da vida e mantendo relacionamentos genuínos. 

Clarice Lispector nos convida a repensar nossas noções de sucesso e felicidade, sugerindo que a verdadeira sabedoria pode residir na capacidade de encontrar alegria nas coisas simples e que ser "bobo" pode ser uma escolha consciente e até mesmo uma forma de resistência ao mundo superficial e competitivo ao nosso redor. Neste contexto, ser bobo não é uma fraqueza, mas sim como uma virtude que permite uma conexão mais profunda com a vida e consigo mesmo. Abraçar a simplicidade e a autenticidade pode gerar uma sensação de paz interior e contentamento que os "espertos" muitas vezes buscam em vão.


Sendo assim; a felicidade verdadeira não está necessariamente associada ao sucesso material ou à astúcia, mas sim à integridade, simplicidade e contentamento com o que se tem.

É necessária uma mudança de paradigma, pois como disse Shakespeare, "O verdadeiro poder está na virtude, e não na astúcia". Assim, a verdadeira esperteza reside em agir com ética, transparência e em conformidade com as leis e regulamentos, visando o progresso coletivo.

segunda-feira, 15 de abril de 2024

Arte na pele

Se existe uma forma de arte que literalmente se torna parte de quem a carrega, essa é a tatuagem. Mais do que simples desenhos gravados na pele, as tatuagens são expressões profundas da individualidade e criatividade humanas.

As tatuagens não são uma moda passageira; na verdade, elas têm uma história tão antiga quanto a humanidade. Desde tempos imemoriais, as culturas ao redor do mundo têm utilizado a prática da tatuagem para marcar rituais, expressar identidade e adornar o corpo. Das tribos ancestrais às civilizações antigas, as tatuagens têm desempenhado papéis diversos, desde símbolos de status até amuletos de proteção. A descoberta de múmias tatuadas lançou uma nova luz sobre essa forma de arte corporal em culturas antigas. Desde múmias do Antigo Egito até povos pré-colombianos nas Américas.


Whang Od
Apo Whang-Od, tatuadora indígena de 106 anos

A preservação das tatuagens ao longo dos séculos é um testemunho da habilidade técnica dos antigos tatuadores. No entanto, a interpretação das tatuagens e de seu significado cultural muitas vezes permanece como um quebra-cabeça a ser desvendado.

Aqui estão algumas das tribos antigas conhecidas por suas práticas de tatuagem:

Tribos Polinésias: As tribos polinésias, incluindo os maori da Nova Zelândia, os samoanos, os havaianos e os tahitianos, são conhecidas por suas elaboradas e significativas tatuagens. Na cultura maori, por exemplo, as tatuagens faciais, conhecidas como "moko", eram uma forma de identificação tribal, status social e linhagem ancestral.

Tribos Celtas: Os celtas, que habitavam partes da Europa Ocidental e Central, eram conhecidos por suas tatuagens intrincadas. Eles acreditavam que as tatuagens conferiam proteção e poder espiritual. Símbolos como nós celtas, animais e motivos geométricos eram comuns em suas tatuagens.

indígenas no Brasil
Tribos Indígenas das Américas: Diversas tribos indígenas das Américas praticavam a tatuagem, incluindo os astecas, os maias, os incas e várias tribos nativas americanas. As tatuagens nessas culturas muitas vezes tinham significados religiosos, rituais de passagem, identificação tribal e proteção espiritual.

Tribos Africanas: Em várias partes da África, as tribos indígenas também praticavam a tatuagem. Por exemplo, as tribos berberes do norte da África tinham tradições de tatuagem que remontam a milhares de anos. As tatuagens entre as tribos africanas muitas vezes representavam identidade étnica, status social, proteção espiritual e rituais de passagem.

Tribos Nativas da Oceania: Além das tribos polinésias, outras tribos nativas da Oceania, como os aborígenes australianos e os povos das ilhas do Pacífico, também praticavam a tatuagem. Suas tatuagens frequentemente retratavam símbolos culturais, histórias de clãs e conexões com a terra e a natureza.

Cada tatuagem conta uma história, seja ela visível ou oculta. Para muitos, as tatuagens são mais do que apenas arte decorativa; são símbolos carregados de significado pessoal. Desde homenagens a entes queridos até representações de crenças espirituais ou filosofias de vida, as tatuagens podem ser portadoras de emoções profundas e memórias duradouras.

Com o passar dos anos, a arte da tatuagem passou, como toda cultura viva, por uma evolução. O que antes era considerado marginal ou associado a determinados grupos sociais, agora se tornou uma forma de expressão da arte. Avanços na tecnologia e na técnica permitiram que os artistas criassem tatuagens ainda mais intrincadas e detalhadas.

Existem vários estilos de tatuagem como o Tradicional (ou Old School), Realista, Aquarela, Preto e Cinza, Geométrico, Neo-tradicional, Fineline, Tribal etc. Esta diversidade é uma das maravilhas da tatuagem. Das linhas finas e detalhes delicados do estilo minimalista às cores vibrantes e imagens surreais, há uma infinidade de estilos e técnicas para explorar. Cada tatuador adiciona sua própria interpretação e criatividade a cada obra de arte na pele.

A relação entre tatuagem e crime é um estereótipo que tem raízes históricas, mas é importante abordá-lo com cuidado e considerar o contexto cultural, social e individual. Ao longo da história, as tatuagens foram associadas a gangues, prisões e comunidades criminosas. No entanto, é importante lembrar que a maioria das pessoas com tatuagens não está envolvida em atividades criminosas.


É certo que as tatuagens podem servir como sinais de afiliação a grupos criminosos ou organizações clandestinas. Essas tatuagens muitas vezes contêm símbolos, números ou palavras que representam lealdade a um grupo específico. Em alguns sistemas prisionais, as tatuagens têm sido usadas como forma de identificar uma filiação ou para marcar crimes específicos cometidos por um indivíduo. Mas é importante desafiar os estereótipos associados às tatuagens e reconhecer que elas são uma forma válida de expressão pessoal. Para alguns, são uma forma de celebrar a individualidade; para outros, são uma maneira de eternizar momentos significativos. Seja qual for o motivo, o poder das tatuagens de contar histórias e conectar pessoas é inegável.

As tatuagens continuam a desafiar convenções e a redefinir os limites da expressão artística. Então, da próxima vez que você encontrar alguém com uma tatuagem, lembre-se de que por trás da tinta há uma narrativa esperando para ser descoberta.

O preconceito contra pessoas tatuadas pode ser prejudicial e injusto, perpetuando ideias equivocadas sobre quem são essas pessoas e suas intenções. Inicialmente, a lei nº 9.459, de 13 de maio de 1997 foi elaborada para a punição de crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor, e ficou conhecida como lei do racismo, mas, acrescentou os termos etnia, religião e procedência nacional, e ampliou a proteção da lei para vários tipos de intolerância. No seu Artigo 20. Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. Pena: reclusão de um a três anos e multa. Mas a interpretação da lei pode se estender para aspectos físicos, modo de vestir, preferencias etc.




Referências:
  1. www.amotatuagem.com
  2. www.cursoenemgratuito.com.br
  3. www.escolakids.uol.com.br
  4. www.historiadomundo.com.br
  5. www.hotcourses.com.br
  6. www.infoescola.com
  7. www.nationalgeographicbrasil.com
  8. www.super.abril.com.br
  9. www.tjdft.jus.br
  10. www.todamateria.com.br

terça-feira, 27 de dezembro de 2022

Então, é Natal?


    Neste Natal vi algumas postagens associando a celebração do Natal com um conjunto de mitos pagãos e à divindade Mitra ou Deus Sol; e resolvi pesquisar um pouco (bem pouquinho) a respeito. Basta um pouco de boa vontade para perceber que estas associações são enganosas, ou mesmo, de má fé.

    Não, não critique ainda. Vamos verificar alguns fatos para admitir a consistência destas postagens.

    Logo de início estas postagens identificam o deus Mitra como o deus Sol Invicto. 


    Na verdade, Mitra está associada a divindade do sol, mas originalmente distinta dele, a princípio, como senhor dos elementos; e somente por volta do século V a.C. sob a forma definitiva do deus solar. Neste ponto não existe entendimento entre os pesquisadores, sendo esta teoria a mais aceita. Era associado ao deus grego Hélio.


    Também era associado ao deus Marte, deus da guerra e da carnificina, mas principalmente da agricultura, colheita, dos campos, da vegetação, sendo assim, sempre relacionado com a fertilidade. Também era um deus do trabalho manual e confeccionador de armas. Pensa-se que Marte trata-se de um reflexo do deus proto-indo-europeu Perkwunos, que também produziu o Thor nórdico. Ou seja, existe uma confusão entre os deuses Mitra, Marte e Thor; representados cada um em uma região, mas com os mesmos atributos.


    Em seguida, as postagens informam que Mitra nasceu de uma virgem.


    Não há nenhuma fonte que afirme tal coisa. Na mitologia indo-iraniana (original - divindade zoroastrista (yazata)) Mitra nasceu perto de uma fonte sagrada, debaixo de uma árvore sagrada, a partir de uma rocha (a petra generatrix; Mitra é, por isso, denominado de petra natus). 


    Logo após, diz que ele foi visitado por reis magos e adorado por pastores.


Mitologia  indo-ariana
Mitra - divindade da sabedoria
    Trata-se de pura especulação, sem base histórica que a sustente; afirma Joelza Ester Domingues, historiadora, pesquisadora e assessora de conteúdo da BNCC. Nesta linha de pensamento, afirma-se que no mitraísmo, haveria prática de acender velas, tocar sinos, cantar hinos e praticar uma refeição ritual de pão e vinho. Mitra seria filho do deus supremo Ahura-Mazda e de uma mulher mortal, assim como Cristo, possuindo uma origem paterna divina e uma origem materna humana. Não há qualquer evidência que confirme qualquer uma destas especulações.


     Afirmam ainda que Mitra morreu em cima de uma pedra e ressuscitou no terceiro dia.

    

    Especulam que Mitra teve doze discípulos, foi “crucificado”, ressuscitou no terceiro dia e prometeu retornar no juízo final. Também não há qualquer evidência que confirme qualquer uma destas especulações. Na verdade, na ritualística romana, Mitra sacrifica um touro em cima de uma pedra; a morte do touro representaria a Lua; e compartilha um banquete com o deus Sol (o Sol Invicto), mais uma prova de que Mitra e Sol (Hélio) são duas divindades distintas.


    Sabe-se ainda que, a maioria das evidências apontam que o Mitraismo veio no segundo, terceiro e quarto século depois de Cristo.


    Nesta mesma postagem, é possível identificar uma mistura da mitologia de Mitra com a mitologia de Hórus. Vejam só:

Mitologia egípcia
Hórus - deus dos céus e dos vivos

    Dizem que, na mitologia egípcia, Hórus nasceu de Isis, uma virgem, no dia 25 de Dezembro, tinha um pai chamado Seb; que é traduzido para José; foi batizado por Anup Batista, tinha 12 discípulos, foi crucificado e ressuscitou depois de três dias.    

O primeiro erro é que as fontes antigas relatam que Ísis não era virgem e era casada com Osíris; e acredita-se que Hórus nasceu no mês de Khoiak (Novembro). Falaremos disso mais adiante.


    Seb era o deus egípcio da terra e Anup Batista (uma invenção de Gerald Massey) é desconhecido pelos egiptólogos , além disso, a única referência de discipulado de Hórus diz que ele tinha 4 discípulos. Não foi crucificado. Osíris foi traído e morto por seu irmão Seth […] e depois Isis junta seus pedaços para que ele fosse a primeira múmia e ressuscitasse.

Quanto a Mitra, além de ser confundido com Hélio, Marte e Hórus, também deu origem (talvez) ao buda Maitreya, que em sânscrito significa "o amistoso".


Budismo
Maitreia ou Maitria (Buda)
    Concluem afirmando que o dia 25 de dezembro era o dia de adoração ao deus sol, que foi incorporado no culto cristão.


    Na verdade, foi o contrário, já que a festividade pagã do “Nascimento do Sol Invicto”, foi instituída pelo imperador Aureliano em 25 de dezembro de 274; em uma data que já gozava de certa importância para os cristãos romanos. è pois, mais um mito sem fundamento histórico.


    Existiam dois templos do sol em Roma. Um deles celebrava sua festividade de consagração em 9 de agosto; e o outro, em 28 de agosto; e nenhum destes cultos tinham festivais relacionados com solstícios ou equinócios.


    Finalizo este pequeno ensaio com mais algumas informações pertinentes.


    Existia uma crença entre os cristãos convertidos do judaísmo de que os grandes profetas morreram na mesma data em que haviam sido concebidos. Pela diversidade dos calendários judeus e romanos, chegou-se à conclusão que Cristo morto num 25 de março ou num 6 de abril, em plena Páscoa judaica. Tendo sido concebido em uma destas datas, mais nove meses de gestação, seu nascimento seria 25 de dezembro ou 6 de janeiro. Esta data foi estabelecida por Sexto Júlio Africano, escritor cristão, no ano de 221 d.c. meio-século antes de Aureliano ter criado a festa do Sol invicto.


    Outras pesquisas também confirmam que muito daquilo que se atribui aos mitos “mais antigos” do que o Cristianismo não possuem confirmação histórica; e tantas outras são completas adulterações tardias dos mitos antigos. Veja alguns exemplos:

  
Mitologia
Amuleto de Orfeu
  • Baco Dionísio transformando água em vinho vem de um documento do segundo século;

  • O amuleto chamado O Amuleto de Orfeu, que supostamente mostra Dionísio crucificado, é uma fraude criada no século XX;

  • Dizem que Krishna era chamada de Jezeus por seus discípulos. Comprovadamente uma fraude moderna;

  • A ressurreição de Attis vem de muito depois do primeiro século;

  • Adônis também vem de mais de cem anos depois de Jesus.


    Todo homem tem o direito de acreditar naquilo que melhor lhe convier, mas é preciso um pouco de atenção para não difundir inverdades e falsos conceitos sobre qualquer tema.


    Feliz natal e um próspero ano novo!


Presépio




Fontes:


ALVES, Leonardo Marcondes. O culto de Mitra e sua pesquisa acadêmica. Ensaios e notas, 2018. 


CLAUSS, Manfred. The Roman Cult of Mithras: The God and His Mysteries. Edinburgh, 2000.


DOMINGUES, Joelza Ester. Mitra, o Sol Invicto e o nascimento de Jesus, 2022. Disponível em https://ensinarhistoria.com.br. Acesso em 27 de Dezembro de 2022.


ELIADE, Mircea; COULINO, Ioan P. Dicionário das religiões. São Paulo: Martins Fontes, 1995.


JOSEPH, Campbell. As máscaras de Deus: mitologia ocidental, tradução de Carmen Fischer. São Paulo: Palas Athena, 2004.


SPALDING, Tassilo Orpheu. Dicionário de Mitologia germânica, eslava, persa, indiana, chinesa, japonesa. São Paulo: Cultrix, 1980. 



TALLEY, Thomas J. , The Origins of the Liturgical Year. Liturgical Press, 1991. Disponível em https://institutosantoatanasio.org/. Acesso em 28 de Dezembro de 2022.


WILKINSON, P. O livro ilustrado da mitologia: lendas e histórias fabulosas sobre grandes heróis e deuses do mundo inteiro. São Paulo. Publifolha. 2002.




terça-feira, 2 de junho de 2020

barão de Mauá




Barão de Mauá, título recebido após construir a primeira estrada de ferro da América do Sul, e depois, Visconde de Mauá, Irineu Evangelista de Sousa é o principal representante dos primórdios do capitalismo na América do Sul. Nasceu em Arroio Grande no estado do Rio Grande do Sul em 28 de dezembro de 1813.

Barão de Mauá, Visconde

Dentre as suas maiores realizações encontra-se a implantação da primeira fundição de ferro e estaleiro no país, a construção da primeira ferrovia brasileira (vídeo), a primeira estrada pavimentada no país, o início da exploração do rio Amazonas e afluentes, bem como o Guaíba e afluentes, no Rio Grande do Sul, a instalação da iluminação pública a gás na cidade do Rio de Janeiro, a criação do terceiro Banco do Brasil e a instalação do cabo submarino telegráfico entre a América do Sul e a Europa.

Foi um dos grandes opositores da escravatura e do tráfico de escravos, entendendo que somente a partir de um comércio livre e trabalhadores libertos e com rendimentos poderia o Brasil alcançar situação de prosperidade.

Sua família era proprietária de pequena estância de criação de gado no Rio Grande do Sul, Barão de Mauá foi precursor do liberalismo econômico no Brasil valorizando a mão-de-obra e investindo em tecnologia. No auge da sua carreira controlava dezessete empresas localizadas em seis países (Brasil, Uruguai, Argentina, Inglaterra, França e Estados Unidos).

Trabalhou em uma pequena loja em troca de abrigo e comida em 1824, e no ano seguinte conseguiu seu segundo emprego, na casa comercial do português Antônio Pereira de Almeida, e com o passar dos anos chegou ao posto de caixeiro em 1828. Por indicação do ex-patrão, Mauá foi admitido como caixeiro da Companhia Inglesa Carruthers em 1829, especializada em importação e exportação. 

Exercendo suas funções aprendeu inglês, contabilidade e técnicas comerciais, chegando ao posto de gerente. Em 1836, aos 23 anos de idade, se estabeleceu como sócio da companhia, batizada de Carruthers & Cia. Com capital acumulado ao longo de seus anos de trabalho, Mauá adquiriu uma chácara no Morro de Santa Teresa, onde tratava seus empregados como auxiliares e não negava abrigo aos escravos foragidos.

Gás, Barão de mauá, Visconde, Aterrado,
Fábrica de gás do aterro

Em 1846 tornando-se o maior empreendedor industrial do país empregando mais de mil operários e produzindo navios, caldeiras para máquinas a vapor, engenhos de açúcar, guindastes, prensas, além de artilharia, postes para iluminação e canos de ferro para águas e gás.
Seu estaleiro faliu em 1860 quando uma lei isentou de direitos a entrada de navios construídos fora do país.

Barão, Visconde,
Com a extinção do tráfico negreiro, a partir da Lei Eusébio de Queirós (1850), os capitais passaram a ser investidos na industrialização. Aproveitando essa oportunidade, Mauá passou a atuar também como banqueiro.



Em toda a sua carreira preocupou-se com a correta gestão de recursos, marcada por uma administração descentralizada, onde a responsabilidade de cada indivíduo na cadeia de comando era valorizada. A sua política salarial expressava, em si própria, um investimento nos talentos de seus empregados, tendo sido pioneiro, no país, na distribuição de lucros da empresa aos funcionários; incentivava os seus colaboradores mais próximos a montar empresas e a fazer negócios por conta própria.

Suas ideias políticas de caráter liberal e defensor do abolicionismo forneceram os recursos financeiros necessários à defesa de Montevidéu quando o governo imperial decidiu intervir nas questões platinas, contrário à Guerra do Paraguai, foi deputado pela Província do Rio Grande do Sul em diversas legislaturas de 1856 a 1873, quando renunciou ao mandato para melhor cuidar de seus negócios, ameaçados desde a crise bancária que se iniciara em 1864.

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Casa de Barão de Mauá em Petrópolis-RJ
Teve influência política no Uruguai desde 1850 e apoiou o gabinete de seu amigo Visconde do Rio Branco, combinação que o tornou alvo das intrigas dos conservadores. As suas instalações passaram a ser alvo de sabotagens criminosas e os seus negócios foram abalados pela legislação que reduziu as taxas sobre as importações.

Doente, minado pelo diabetes, após liquidar as suas dívidas, encerrou um capítulo da sua vida empresarial. Com o pouco que lhe restou e o auxílio de familiares, dedicou-se à corretagem de café até a morte.


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Fontes:
academia.org.br
brasilescola.uol.com.br
brmaua.com.br
globoplay.globo.com
google.com
historiaviva.com.br/
infoescola.com/historia/barao-de-maua/
planalto.gov.br
todamateria.com.br/
youtube.com/channel/UCQRPDZMSwXFEDS67uc7kIdg